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TRAJETÓRIA - CARLOS EDUARDO - ALUNO APROVADO NA DPE-MG

TRAJETÓRIA - CARLOS EDUARDO - ALUNO APROVADO NA DPE-MG

Fala galera, tudo bem? Me chamo Carlos Eduardo, sou ex-aluno do Curso RDP, tenho 31 anos, sou servidor do TRT 5ª Região, e recentemente (num mundo pré-isolamento social, rs) fui aprovado no VIII Concurso para Defensor Público do Estado de Minas Gerais.

Bom, quando o RDP me convidou para contar um pouco da minha trajetória, fiquei pensando no que poderia acrescentar na preparação do leitor deste relato. O que eu gostaria de saber se estivesse aí no seu lugar que hoje sonha em ser tornar um(a) Defensor(a) Público(a).

Depois de me formar e ter experimentações com a advocacia privada na seara consumerista e como servidor do Ministério Público estadual, me senti um tanto perdido por decepcionar aquele garoto que ingressou no curso de Direito cheio de ideias e desejo de transformação social. Não havia me encontrado em nenhumas dessas áreas.

Ainda enquanto servidor do MP, tive oportunidade de acompanhar minha chefe nas então recém-criadas audiências de custódia. E foi nesse momento que conheci o trabalho do outro lado da mesa de audiência, a Defensoria Pública. Não deu outra, era aquilo que queria para minha vida! Foi como se o amor da minha vida estivesse ali o tempo todo ao meu lado e eu só percebi após 04 (quatro) anos de formado, rs. Aqui, como primeira orientação, o que posso dizer é: quando mais cedo você souber o que quer, mais curto será seu caminho rumo à aprovação.

A partir daí comecei a preparação. Meu primeiro ano de estudos dirigidos à carreira defensorial foi um tanto equivocado, queria me aprofundar na doutrina de todas as áreas e apenas estudar determinada matéria após esgotar a anterior (imagina o amadorismo, rs). Pensava que somente sabendo os assuntos a fundo conseguiria o êxito; um grande engano. Aos poucos fui conseguindo me organizar e formar a base infalível de: leitura diária de seca + jurisprudência e resolução de questões. Com a experiência, você vai sentido suas deficiências e percebendo onde pontualmente precisa complementar com doutrina. Aqui, a segunda orientação: antes de querer saber teorias complexas, pare e leia exaustivamente a CF, o CC, o CP, o CPC CPP, faça o arroz com feijão.

Entendida essa lógica e já no segundo ano de estudos, agora eu estava como assessor de magistrado e me deparei com uma demanda assombrosa de trabalho, o que prejudicou bastante meu rendimento, só conseguia estudar após às 20h, já bastante cansado de dia de trabalho (com o tempo percebi que rendia melhor estudando pela manhã, assim, busque o horário ideal para o seu perfil). Entretanto, eu estava bastante focado no que queria e nunca parei, mesmo que não conseguisse todos os dias e, às vezes, quando conseguia, com somente 1h de estudo diária. Aqui, a terceira orientação: tenha foco, determinação, imprima ritmo ao estudo de forma que possa sustentá-lo com periodicidade e metas atingíveis à sua realidade naquele momento.

No terceiro ano de preparação e com mais tempo para estudar (uma média de 4 horas diárias, de segunda à sábado), já conseguia sentir minha evolução, o edital não parecia mais aquele monstro assustador, passei a acertar um maior número de questões. Também nessa época conheci o RDP. Já vinha me preparando com outros bons cursos dirigidos às provas da Defensoria, mas Victor fala nossa língua, os materiais do RDP são acessíveis e, às vezes, você até esquece que está estudando. Final de 2018 fiz a DPE/MA e, apesar de não ter sido aprovado, foi uma prova que gostei bastante. Aqui, a quarta orientação: se você tem dificuldade de se organizar nos estudos, principalmente no início, busque um direcionamento com cursos responsáveis e dirigidos à carreira.

Minha primeira prova foi a Defensoria Pública do Estado da Bahia, em seguida vieram DPE/SC, DPE/PR, DPS/ES, DPE/PE e DPE/MA. Nenhuma aprovação, sequer na primeira fase. Em janeiro de 2019 saiu o edital da DPE/MG e lá estava eu entrando meu quarto ano de preparação, adquiri o “Reta Final” do RDP. Geralmente as pessoas costumam ressaltar a importância do estudo prévio à abertura do edital. De fato, isso é importante, mas eu nunca consegui estudar sem um edital na praça (preciso me sentir pressionado) e assim, a partir das provas anteriores, fui formando minha base.

Eis que, no mês de maio, após anos de lei seca, jurisprudência, resolução de questões, consegui o esperado êxito na primeira fase. A sensação nesse momento é de muita felicidade, mas, passada a euforia inicial, caiu a ficha que eu estava na segunda fase. No meu imaginário, as pessoas quando chegavam na segunda fase eram bastante preparadas, só que eu não me achava nada disso. Daí, vem o sentimento de autossabotagem, o medo de encarar o por vir. Entretanto, era necessário seguir em frente e a preparação a partir daqui muda complemente.

Toda aquela ansiedade por resultados, estudo passivo de leitura e assimilação de conteúdo dão lugar à necessidade de colocar tudo isso escrito no papel, de forma pragmática, intertextualizada, argumentada. Hora de fazer peças jurídicas e responder questões discursivas. Nessa fase o estudo se torna muito interessante e exige uma postura mais dinâmica da gente, o tempo passa voando nem percebemos. A prova permitia consulta à legislação, saber manusear o Vade Mecum é essencial neste momento. Novamente contei com o auxílio do RDP para correção das peças processuais.

E não é que cheguei na prova oral!

Logo eu, sempre tão tímido, que fugia da apresentação de todos os trabalhos escolares e da faculdade, agora me via diante da necessidade de falar para 10 (dez) Defensores Públicos, sobre 10 (dez) matérias, de forma coesa, coerente, clara, segura e fundamentada. Sim, eu estava diante do maior desafio da minha vida. Aqui, muito mais importante do que o mero conteúdo jurídico, é essencial treinar a fala, a impostação da voz. Praticar no espelho, na câmera do celular, com familiares e amigos ajuda. Se sentir no cargo de Defensor Público também é imprescindível, as bancas cada vez mais têm exigido uma postura contramajoritária do candidato, ressaltando a ampla defesa e a promoção dos Direitos Humanos, elementos destacados em um bom Defensor Público. No meu caso, fiz um curso intensivo de oratória e segui com as arguições jurídicas do RDP.

No fim, tudo deu certo! Apesar não ter sido aprovado nas posições iniciais, a sensação de dever cumprido e de que todo o esforço e abdicação valeram à pena é o nosso maior presente. O desejo de ser sangue verde e poder ser um agente de transformação social na vida de pessoas socialmente vulnerabilizadas me fazia seguir em frente todas as vezes que eu fraquejava.

Bom pessoal, é isso. Espero que o texto ajude a perseverar seu caminho rumo à Defensoria Pública. Nos encontramos nos editais que virão (só pretendo me “aponsentar” dessa vida de concurso no dia que tomar posse, até lá... segue o baile).

Ah, por fim, uma dúvida que sempre me angustiava era se deveria excluir minhas redes sociais para pontencializar os estudos. Vejam bem, o Instagram hoje é uma ferramenta que pode te ajudar bastante nos estudos. Eu mesmo fiz um perfil exclusivo para acompanhar postagens voltadas à área, tem muito conteúdo que acrescenta, além de ser inspirador seguir uma turma boa de Defensores atuantes nas redes e na carreira. Todavia, seja moderado. O excesso de informação por lá pode te deixar ansioso. Outra dica é ter ciência que ser concurseiro exige abdicações, mas sempre priorize sua saúde mental. Eu nunca parei completamente de sair com amigos, fazer atividade física e tudo mais, logicamente com parcimônia.  Tendo rotina de estudos e organização, não há porquê deixar de fazer o que se gosta. Encontre seu equilíbrio!

No mais, aqueles clichês que teimamos em não escutar: evitem se comparar aos outros, busquem sempre superar a si mesmos e sejam obstinados. Tenham inteligência emocional, vai dar certo!

Carlos Eduardo Santos Almeida

Me sigam no instagram: @defensorhumano

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